Reinheitsgebot – Lei da Pureza Alemã

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De uma coisa você pode ter certeza: uma hora ou outra você vai acabar se esbarrando na Reinheitsgebot – Lei da Pureza Alemã – , seja na produção ou na degustação. Portanto, conhecer um pouco da sua história é fundamental.

(foto adrianpike)

(foto adrianpike)

A Lei da Pureza Alemã (Reinheitsgebot) foi promulgada pelo Duque Wilhelm IV (Guilherme IV) da Baviera em 23 de abril de 1516, trazendo algumas regras para a fabricação e distribuição da cerveja.

Este decreto tinha como um dos pontos mais fortes a utilização de somente água, malte de cevada e lúpulo, na fabricação da cerveja, com o intuito de garantir a qualidade da bebida. O que acabou por barrar a utilização de alguns ingredientes bizarros (como fuligem, cal e alucinógenos), que estavam sendo utilizados por muitos cervejeiros na época, o que poderia causar sérios problemas físico e mentais aos consumidores.

Não! Eu não esqueci da levedura.

Naquela época, a levedura era desconhecida ficando o processo de fermentação a cargo de alguma cepa selvagem ou por vezes, devido a adição de um pouco da cerveja de uma leva anterior, a qual já continha leveduras ativas, que iniciava assim o processo de fermentação. Mas, todo este processo era tratado de uma forma misteriosa e empírica pelos cervejeiros da época. Sendo esse mistério desvendado somente no final do século IXX com o início dos estudos de Louis Pasteur sobre a microbiologia.

Além de estabelecer os únicos ingredientes permitidos para a fabricação da cerveja, a Reinheitsgebot, também tratava dos impostos e estabelecia o preço de venda da cerveja na região.

Muitas especulações giram em torno do motivo real da promulgação desta Lei, passando desde uma forte ressaca causada por uma péssima cerveja ao Duque até pelo peso econômico devido a grande utilização de grãos valiosos (como trigo e centeio), que causaram a falta e consequente  aumento do preço dos produtos derivados desses grãos. Assim, o consumo de cerveja de trigo ficou limitado apenas a nobreza até o final do século 18. Espertinhos!!

Quase um trava língua, a Reinheitsgebot – Lei da Pureza Alemã, foi ganhando aceitação das regiões vizinhas a Baviera e se espalhando aos poucos, chegando a todo o Império Alemão a partir de 1906, já com a inclusão da levedura e admitindo o trigo como adjunto.

Confira a Lei da Pureza Alemã na íntegra:

Reinheitsgebot – A Lei da Pureza

“Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Bavaria, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:

De Michaelmas a Georgi, o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munich do pfennig.

De Georgi a Michaelmas, o Litro não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o Copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig).

Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.

Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro.

Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser malte de cevada, lúpulo e água.

Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha.

Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por Copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrecentar um imposto e aumentos subseqüentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).

NÓS, o Ducado da Bavaria, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados.”

– Guilherme IV Duque da Bavária

 

Atualmente encontramos diversas cervejarias, inclusive nacionais, que ainda seguem a Reinheitsgebot para atestar a qualidade de suas cervejas. Mas vale lembrar, que existem inúmeras cervejas de excelente qualidade e que não seguem a Lei da Pureza Alemã, como no caso de muitas cervejas belgas.

Assim, vejo que na produção de nossas cervejas, seguir ou não a Reinheitsgebot vale mais como uma questão de tradição e não obrigação. Até porque a qualidade dos insumos, a assepsia e o processo, considero como os fatores determinantes para a qualidade final da cerveja.

Boas cervejas!

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